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MINAS DE ALJUSTREL – Resenha histórica

A mineração em Aljustrel constitui indelevelmente parte integrante e fundamental da história da freguesia e do próprio concelho. Situadas na faixa piritosa ibérica, que se estende desde a Serra da Caveira (Grândola) até às proximidades de Huelva (Sul de Espanha), as minas de Aljustrel e de S. Domingos, constituíam, nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, os principais complexos mineiros de Portugal.

Embora a exploração das minas de Aljustrel remonte a tempos imemoriais, tendo sido aproveitadas por fenícios e cartagineses, é sem dúvida, durante o período da ocupação romana, (entre os séc. I e III d.c.), sob o imperador Adriano, que a actividade mineira se intensifica, conforme testemunham as centenas de milhares de toneladas de escórias antigas amontoadas nas proximidades da mina de Algares, assim como a diversidade de achados arqueológicos e os numerosos poços e galerias dessa época, aí   descobertos e que foram exaustivamente estudados.

Seria nesses escoriais romanos que foram descobertas, respectivamente, em 1876 e 1906, duas tábulas de bronze, que representam os mais completos documentos escritos da administração mineira romana até hoje encontrados. Estas importantes descobertas projectaram o nome de Aljustrel no seio da comunidade científica internacional, tendo ambas sido objecto de apurados estudos pelos maiores especialistas nacionais e estrangeiros, nomeadamente os portugueses Estácio da Veiga e Augusto Seromenho e posteriormente o francês Claude Domergue. A região mineira que se regia por estas leis era conhecida por Metallum Vipascencis e o povoado existente na sua proximidade era denominado Vipasca. Os romanos exploraram-nas, durante vários séculos, sobretudo pelo cobre e prata que apareciam com teores elevados nos minérios do chapéu de ferro (afloramento do jazigo à superfície) dos jazigos de Algares e de S. João do Deserto.

Depois dos romanos, os árabes também aproveitaram estes recursos mineiros, mas num escala mais reduzida. Posteriormente, só no séc. XVI, no reinado de D. Manuel I, as minas de Aljustrel voltam a ser referidas, tendo depois caído no esquecimento por vários séculos.

Só em meados do séc. XIX, com o advento da Revolução Industrial e com a liberalização do sector mineiro, em 1847, o Estado entrega a concessão das minas de Aljustrel, ao empresário espanhol Sebastião Gargamala. Este, por falta de meios financeiros e dificuldades de ordem técnica, não consegue pôr a funcionar em pleno a exploração. Em 1859, as minas são consideradas como definitivamente abandonadas e consequentemente postas a concurso, mas só em 1867 o Estado outorga a concessão dos Jazigos de Algares e de S. João do Deserto à Companhia de Mineração Transtagana. Esta empresa trabalhou intensamente as minas, dotando-as de importantes infra-estruturas, quer na mina, quer no tratamento hidro-metalúrgico do minério assim como nos meios de transporte por via férrea, ligando Aljustrel à linha do Sul (estação da Figueirinha), através de um ramal de bitola reduzida, com 15 Km, que viria a ser inaugurado em 1876. Em 1878, com a baixa das cotações do cobre, coincidindo com o início dos minérios do Catanga, instalou-se uma crise económica na Transtagana e a lavra mineira voltou uma vez mais a paralisar.

Em 1895, dá-se entretanto a transmissão das propriedades da Transtagana para o Banco Fonsecas, Santos § Viana , que já era o seu principal accionista. Este banco ir-se-ia depois associar a capitais belgas, daí resultando então a Société Anonyme Belge des Mines d’AljustrelS.A.B.M.A ., com sede em Antuérpia, que, em 26 de Maio de 1898, obteria do Estado a respectiva concessão. A extracção começaria logo no ano seguinte e exceptuando duas crises resultantes da 1ª e 2ª guerras mundiais, a exploração por parte da empresa belga, que a partir de 1955 passaria a designar-se Mines d’Aljustrel S.A. – MASA , duraria ininterruptamente até 1973. No início do século XX chegaram a trabalhar nas minas perto de 2000 operários, que à medida que a exploração se foi mecanizando, aquele número foi sendo reduzindo mantendo-se durante várias décadas na ordem das várias centenas.

Na década de 60, na sequência do encerramento das importantes minas de pirite de S. Domingos, as minas de Aljustrel tornar-se-iam as mais importantes do País, resultante também do esforço desenvolvido na modernização em infra-estruturas e equipamento, que foi possível graças ao aumento e reconhecimento significativo dos jazigos e suas reservas, coincidindo com a entrada em exploração por um novo método de desmonte ( cut and fill) da massa do Moinho, descoberta em 1953. A reestruturação faz-se nos trabalhos subterrâneos e à superfície, concentrando-se a extracção das minas de Algares/Feitais e de S. João/Moinho num novo complexo de extracção designado por Vipasca, que entrou em funcionamento em meados da década de 70.

Em Junho de 1973 a concessão transita para a posse da empresa Pirites Alentejanas, SARL, de capital predominantemente nacional (Estado com 50%, CUF com 40% e Mines d’Aljustrel com uma quota de 10%). Entretanto com as nacionalizações ocorridas em 1975, o Estado português passou a deter 90% do capital da empresa, ficando os restantes 10% em poder dos belgas.

Até aos princípios do século XX a exploração das minas de Aljustrel justificava-se quase exclusivamente pela extracção do cobre contido na pirite. A partir daí, o êxito económico da exploração belga ficou a dever-se essencialmente ao aproveitamento do enxofre da pirite, utilizado no fabrico de ácido sulfúrico, matéria prima que associado aos fosfatos era destinado então à florescente indústria adubeira.

A reconversão que este sector da indústria sofreu na década de 80, conduziu a que se procurasse um aproveitamento integrado dos metais contidos na pirite. Terminado assim o ciclo do ácido sulfúrico, cujo fabrico a partir da pirite deixou de ser rentável, em 1991 foi lançado um projecto ambicioso para a produção de concentrados de cobre, chumbo e zinco (designado por PPC), onde o Estado português investiu cerca de 18 milhões de contos, na construção de uma lavaria industrial e infra-estruturas mineiras (inauguração oficial em 10/09/1991). Devido a vicissitudes de vária ordem, nomeadamente tecnológicas, de falta de rigor no reconhecimento dos jazigos e sobretudo da recessão da cotação dos metais então ocorrida, aquele projecto acabou por falhar economicamente, provocando a suspensão da lavra mineira em Março de 1993.

Entretanto, em 2001 o complexo mineiro de Aljustrel foi adquirido pela empresa canadiana EuroZinc Mining Corporation, que depois de uma reavaliação do projecto e de um reconhecimento rigoroso dos diversos jazigos e aproveitando uma conjuntura favorável com a subida das cotações dos metais, anunciou em Maio de 2006 a retoma da exploração, prevendo um investimento de 80 milhões de euros e a criação de 300 postos de trabalho.

Neste momento decorrem os trabalhos de desenvolvimento na mina e a remodelação da lavaria industrial, prevendo-se o arranque da extracção e   da produção de concentrados para 2008.

(Fonte: Francisco Palma Colaço, Dez/2007)

 
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