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CORTE VICENTE ANES
Apontamento Monográfico

Descrição Geográfica e Urbanismo

A Corte Vicente Anes é uma típica aldeia alentejana com uma população de 225 habitantes (sensos 2001), pertencente à freguesia de Aljustrel, concelho de Aljustrel, distrito de Beja, distando 6 Km da vila de Aljustrel. Fica localizada a 1 Km para noroeste da estrada que liga Aljustrel à cidade de Beja, da qual dista cerca de 30 km. Também se encontra ligada por uma estrada municipal às aldeias de Jungeiros e de Montes Velhos, pertencentes à freguesia de S. João de Negrilhos, e à aldeia de Ervidel, sede da freguesia com o mesmo nome, ambas fazendo parte do concelho de Aljustrel.

A malha urbana, constituída por uma dezena de arruamentos, ocupa uma área aproximada de 9,3 ha, tem uma configuração triangular e encontra-se encaixada numa encosta ligeiramente acentuada, que desemboca num vale por onde as águas pluviais se escoam através de um barranco até à ribeira do Roxo, que passa a cerca de 1,5 Km a jusante. A ribeira do Roxo é um afluente do rio Sado. Neste vale existe um logradouro onde se encontra um lavadouro público coberto, um poço e um parque de merendas construído pela Junta de Freguesia.

Nesta povoação erguem-se 164 edifícios de habitação, nos quais vivem 79 famílias. Todos eles são de um só piso, com excepção de um que tem 1º andar. Algumas dessas moradias funcionam como residências secundárias de famílias residindo habitualmente área de Lisboa.

Na antiga toponímia, os arruamentos eram designados por: rua de Vale de Barreiros (actual R. General Humberto Delgado), rua das Cardozas (actual R. Luís de Camões), rua Direita (actual R. 25 de Abril), rua Nova (actual R. da Liberdade), R. do Norte (actual R. das Forças Armadas), rua do Meio (actual R. 28 de Setembro) e rua do Poço (actual R. 1º de Maio).

As Origens

Embora a presença humana neste sítio seja pré-histórica (III milénio A.C., Idade do cobre) como prova o túmulo megalítico, descoberto em 1961, no Monte do Outeiro, situado nas proximidades da Corte Vicente Anes, no entanto desconhecem-se as origens desta pitoresca aldeia. Provavelmente a sua fundação ascende ao período medieval, pois aparece referida pela primeira vez em documentos da Ordem de Santiago da Espada, resultantes da “Visitação à Vila de Aljustrel em 1482”.  À semelhança de muitos povoados alentejanos denominados por “corte”, nome derivado de “curral” ou “arramada”, a formação deste aglomerado terá provavelmente a ver com o desenvolvimento e concentração da pastorícia naquela zona, cujas terras pertenceriam ou estariam aforadas a um senhor de nome Vicente Anes, vindo daí a origem do nome Corte de Vicente Anes .

Luís Pita e Graça Dias, historiadores da UAAL (Unidade Arqueológica de Aljustrel), tendo procedido a investigações relativamente às propriedades rurais pertencentes à Ordem de Sant’Iago, verificaram que entre 1482 e 1565 era referida a existência de três herdades na Comenda de Aljustrel. Uma delas localizava-se na Corte Vicente Anes , no termo da Vila de Aljustrel. Em 1482 tal herdade encontrava-se aforada em regime de sesmaria, perpetuamente, mas sujeito a confirmações periódicas, a João Afonso Temoeiro. Em 1486, a propriedade foi vendida, por 90.000 réis brancos, por parte daquele foreiro e de sua mulher, Guiomar Vicente, a dois casais de lavradores: João Afonso e Catarina Eanes e Tomé Afonso e Bárbara Fernandes. A propriedade encontrava-se forra e isenta de forro, exceptuando-se o pagamento de um carneiro no Dia de Páscoa Florida. 

A antiga herdade de João Afonso Temoeiro, em 1510, que compreendia todas as entradas e saídas da Corte Vicente Anes, logradouros, casas, rossios, águas de beber e uma cova de pão, era delimitada pela Ribeira das Assarias e a Ribeira do Roxo e pela herdade de Diogo Afonso Branco de Abóbora e a estrada que ia de Aljustrel para Beja.  Quanto a este aspecto há que realçar a posição geográfica estratégica da Corte Vicente Anes no percurso entre Aljustrel e Beja. Ainda hoje em dia, apesar das suas reduzidas dimensões, esta aldeia é um dos pontos principais das carreiras de camionetas que estabelecem a ligação entre aquelas localidades.

Lista de Moradores de 1720 na Corte Vicente Anes e nos montes vizinhos: 

Francisca Martins, viúva, com uma filha maior e filhos menores; Lourenço Anes, lavrador, casado; Manuel Rodrigues, jornaleiro, casado, um filho e uma filha, ambos menores; Francisco Pereira, jornaleiro, casado, dois filhos e uma filha, todos menores; Domingas Rodrigues, viúva; João Lopes, lavrador, casado, duas filhas menores; André Martins, pastor, casado, duas filhas, uma menor e outra maior; João Afonso, industrial, casado, três filhos menores e uma filha maior; Maria Dias, viúva e uma filha maior; Pedro Gomes, pastor, casado.

Val d’Água – Manuel Mestre, lavrador, casado, dois filhos menores e dois enteados;

Campeiros – Caetano dos Santos, casado, um filho menor;

Cardozas – Manuel Rodrigues, lavrador, casado, um filho menor;

Outeiro – Pedro Jorge, solteiro e Pelónia Gomes, viúva;

Barroca – Francisco Lopes, lavrador, casado, um filho menor e dois maiores, uma filha menor, uma escrava menor e duas maiores e dois criados menores;

Fonte da Magra – Miguel Lopes, lavrador, casado, um criado menor; Silvestre Rodrigues, jornaleiro, viúvo, um filho menor e uma filha maior; Manuel da silva, jornaleiro;  

Godinhos – Domingues Fernandes, lavrador, casado; Gaspar Pires, lavrador, casado, três filhos menores; Manuel Penedo, jornaleiro, casado;

Assarias – António Rodrigues, lavrador, solteiro, uma irmã, duas sobrinhas e um sobrinho, todos maiores, um escravo e uma escrava e três criados andantes.

Nas “Memórias Paroquiais de 1758” existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, as quais descreviam a Corte de Vicente Anes como uma das três aldeias pertencentes à Freguesia de Aljustrel, conjuntamente com Rey de Moinhos e a Aldeia das Magras. Nessa época, segundo esse documento histórico, a Corte de Vicente Anes teria 18 vizinhos , ou sejam famílias com direitos, o que representariam uma população de cerca de 80 pessoas.

Demografia

A evolução demográfica resultante dos sucessivos recenseamentos efectuados já neste século foi a seguinte: 292 habitantes em 1911, 508 em 1940, 600 em 1960, 346 em 1970, 386 em 1981, 323 em 1991. Segundo este censo, o número de casas existentes era de 172, das quais 60 se encontravam vagas, vivendo nas restantes 112 famílias que representavam uma população de 323 pessoas (154 homens e 169 mulheres). 

No último censo de 2001, a população voltou a diminuir, passando para 225 residentes (112 homens e 103 mulheres, 55 com idade inferior 20 anos e 52 com idade superior a 65 anos). O n.º de edifícios e alojamentos é de 164 e o nº de famílias é de 79 . Em 2007 encontram-se recenseados 246 eleitores.*

Da observação destes números verifica-se uma quebra bastante acentuada da população cortevicentina a partir da década de 60, o que facilmente se identifica com o forte movimento emigratório que se registou naquela época por todo o País, com especial incidência nos meios rurais, do qual não podemos dissociar os salários precários praticados na agricultura e a fuga de muitos jovens à guerra colonial.  

* Este n.º é superior ao n.º de residentes pelo facto de muitas das pessoas que se ausentaram da aldeia ou emigraram se mantiveram aqui recenseados . 

O Presente

À semelhança do que sucedia com a maioria das comunidades rurais do nosso País, a Corte de Vicente Anes durante largos anos esteve completamente isolada e votada a um esquecimento desolador. Os sinais de progresso que até 1974 tinham ali chegado, resumiam-se apenas à rede eléctrica e à Escola Primária. Muitas eram as carências primárias que se faziam sentir naqueles tempos difíceis. Para exemplificar algumas das necessidades mais sentidas, apontamos as redes de águas e esgotos, os arruamentos, o acesso à aldeia dos transportes públicos. 

Porquê tão confrangedor atraso? Seria o povo da Corte inconsciente da sua deplorável situação ou seria submisso e resignado com o seu triste destino? Nem uma coisa nem outra, pois o povo da Corte sempre deu indicações de ser inconformado, só que naqueles tempos a menor reivindicação, por mais legítima e elementar que fosse, teria sempre como resposta a ameaça ou a repressão.  

Seria bom relembrar aqui, sobretudo para esclarecimento dos mais jovens, quais os melhoramentos mais significativos que foram efectuados pelas autarquias, Câmara Municipal e Junta de Freguesia, após o 25 de Abril. Para fazer um pouco de história cumpre fazer uma referência à acção desenvolvida por um ilustre cortevicentino, o poeta popular António Maria Coelho, que, logo após a Revolução dos Cravos, foi nomeado pela população “Cabo de Ordens”, legitimando-o assim como porta-voz das suas reivindicações junto das autarquias. Temos assim:  

Arruamentos e Acessos

  • Alargamento e alcatroamento da estrada de acesso à Aldeia a partir da estrada nacional. Saliente-se que este melhoramento foi a primeira aspiração da população a ser resolvida, o que foi conseguida com o financiamento da Câmara e a colaboração voluntária da população, incluindo alguns lavradores que contribuíram com a cedência de máquinas;
  • Construção da estrada de ligação a Montes Velhos, melhoramento que veio beneficiar sobretudo quem trabalhava na fábrica do Roxo;
  • Nivelamento e alcatroamento das ruas;
  • Construção de um abrigo para passageiros;
  • Toponímia (colocação de novos nomes nas ruas e numeração das portas);
  • Reforço da rede eléctrica e melhoramento da iluminação pública.

Saneamento Básico

  • Construção das redes de esgotos e de água potável;
  • Ampliação e cobertura do lavadouro público;
  • Melhoramento do poço de abastecimento público com bombagem eléctrica;
  • Construção de ETAR (Estação de tratamento de águas residuais).

Serviços

  • Correio ao domicílio” diário;
  • Recolha de lixo três vezes por semana;
  • Serviço regular de todas as carreiras da Rodoviária que ligam Aljustrel a Beja e Aljustrel a Lisboa, o que só foi possível com o alargamento e asfaltamento da estrada.
  • Casa Mortuária.

Saúde

  • Construção de um novo Posto Médico, que por vontade alheia ao poder local, lamentavelmente já não funciona, por falta de pessoal médico e de enfermagem.

Ensino e Cultura

  • Restauro e diversos melhoramentos na Escola Primária;
  • Arranjo e adaptação do edifício do Posto Médico para a instalação do Centro de Educação Pré-Escolar;
  • Participação financeira na reconstrução e remodelação da sede da Sociedade Recreativa Vicente Anes.

Desporto, Lazer e Ambiente

  • Construção dum parque infantil num terreno anexo à Escola Primária;
  • Embelezamento de alguns espaços onde se construíram floreiras, bancos e passeios com calçada à portuguesa;
  • Recuperação do poço existente no centro da aldeia com embelezamento do espaço envolvente;
  • Construção de um Centro de Convívio para idosos;
  • Construção de um campo de futebol e de um recinto polidesportivo. Refira-se que o terreno onde foram implantadas estas instalações desportivas foi doado pelos Srs. Fernando Guiomar Espada e António Pereira Carrasquinho à Junta de Freguesia.
  • Parque de merendas junto ao poço e lavadouro público.

Ensino Básico

A Escola Primária

Desconhece-se exactamente o ano em que foi instituído o ensino primário nesta aldeia. No entanto sabemos que desde a década de 1930 existia um Posto Escolar, que funcionava num edifício que era conhecido pela Adega do Costa e ficava localizado no n.º 10 da rua 1º de Maio, cujo proprietário presentemente é o Sr. Manuel Rosa Henriques. Nos anos 50 a Câmara Municipal pagava um aluguer mensal de 50$00 ao proprietário do dito prédio, Sr. José Vaz de Sousa. Exerceram neste estabelecimento de ensino as professoras (regentes escolares): D. Palmira, D. Maria Revez, D. Inácia, D. Maria Amélia e D. Lúcia Gonçalves.

O actual edifício escolar, de uma só sala, foi construído, em 1957, ao abrigo do “Plano dos Centenários”, numa parcela de terreno com a área de 1.055 m2, adquirida ao Sr. Fernando José Guiomar, pelo preço de 844$00, a qual foi desanexada da sua propriedade denominada “Campeiros”.

O terreno foi integralmente comprado com o produto de uma colecta efectuada pela população da aldeia cuja importância foi entregue pelo Cabo Chefe à Câmara Municipal. O custo total da construção do edifício importou em 170.274$00, sendo metade desta quantia suportada pela Câmara Municipal.

A escola primária oficial começou a funcionar neste edifício no ano lectivo de 1957/58, leccionando nesse ano a Professora D.Lúcia Gonçalves. Actualmente a escola encontra-se encerrada desde 2008, tendo sido frequentada por 8 alunos de ambos os sexos no seu último ano lectivo de vida (2007/2008).

No, finais da década de 90 foi criado um Jardim de Infância, tendo sido adaptado para esse efeito o edifício do Posto Médico. Este estabelecimento de ensino continua a funcionar mas em regime itinerante.

Ensino Pré-Escolar

Este ensino funciona no antigo edifício do Posto Médico, devidamente adaptado e equipado para esse efeito. Presentemente este estabelecimento é frequentado, em regime itinerante, por 7 crianças.

Sociedade Recreativa Vicente Anes

Fundada em 1939, com os respectivos estatutos aprovados por despacho de 7 de Fevereiro, do Governo Civil de Beja, é uma das colectividades mais antigas do Concelho. O papel desempenhado por esta agremiação tem sido fundamental para a vida cultural, desportiva e recreativa desta pitoresca aldeia.

Presentemente tem cerca de 250 associados e tem sido dirigida nos últimos anos por direcções dinâmicas que decididamente e em boa hora apostaram na aquisição e na remodelação total da sua velhinha sede.

Com a ajuda financeira da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia e com a colaboração voluntária dos membros da direcção e de alguns jovens, tornou-se possível dotar esta colectividade de uma sede moderna e confortável, de que toda a população se pode orgulhar, constituindo um verdadeiro cartão de visita da aldeia.

É a direcção desta simpática agremiação que organiza o tradicional Baile da Pinha, à volta do qual toda a comunidade ausente e residente se reúne e confraterniza.

Os corpos gerentes eleitos para o exercício de 2009 são os seguintes:

Assembleia Geral:
Presidente: Daniel José Pires Correia
Secretário: Tiago Manuel Rocha Guerreiro
Vogal: Nelson Afonso Costa

Direcção:
Presidente: Ricardo José Guerreiro da Palma
Secretário: Dário José Martins Cavaco
Tesoureiro: Victor Manuel Russo Guerreiro

Conselho Fiscal:
Presidente: António José Correia Cavaco
Secretário: Helder José da Costa Guerreiro
Relator: José Manuel Martins Cavaco

Contacto:
Sociedade Recreativa Vicente Anes
Rua General Humberto Delgado, 16
Corte Vicente Anes
7600-161 Aljustrel
Tel: 284 601 236

Clube de Caça e Pesca de Corte Vicente Anes

Esta associação sem fins lucrativos, que tem por objectivo fundamental a prática de actividades lúdicas relacionadas com a caça e a pesca, foi constituída através de escritura lavrada no Cartório Notarial de Aljustrel, no dia 27 de Outubro de 2004.  A sua constituição veio publicada no Diário da República n.º 286 – III Série do dia 7/12/2004.

A Comissão Instaladora foi constituída pelos sócios fundadores António Francisco Raposo Pereira, José Emília Guerreiro e Alexandre Fortunato Paulino.
Os Corpos Sociais eleitos na 1.ª Assembleia Geral realizada a 26/02/2005, ficaram com a seguinte composição:

Assembleia Geral

- Presidente:
Joaquim Rosa Perpétua Carriço
- 1.º Secretário:
António Bárbara Guerra
- 2.º Secretário:
Emanuel José Guerreiro Perpétua

Direcção

- Presidente:
António Francisco Raposo Pereira
- Vice-presidente:
Alexandre Fortunato Paulino
- Secretário:
José Emília Guerreiro
- Tesoureiro:
José Manuel Cavaco dos Anjos
- Vogal:
Carlos Brito Nobre

Conselho Fiscal

- Presidente:
Vitor Manuel Silva Guerreiro
- Secretário:
Luís Manuel Guerreiro Perpétua
- Relator:
António Emílio Guerreiro

Contacto

Clube de Caça e Pesca de Corte Vicente Anes
R. General Humberto Delgado, n.º 13 A
Corte Vicente Anes
7600-161 Aljustrel

Tradição – O Baile da Pinha

Este baile, também conhecido por Baile da Pinhata, vem de épocas antigas e realizava-se num espírito cristão litúrgico do domingo "Laetare", domingo em que sensivelmente ao meio da Quaresma a Igreja convidava os fiéis a porem de parte a penitência e celebrarem a alegria da antevisão da Ressurreição de Jesus na Páscoa que se aproximava. Enquadrava-se, portanto, no mesmo sentido em que se insere o "Demi-Carême" francês.

Há anos atrás também se comemorava esta festividade em Aljustrel e era o Centro Republicano IR Aljustrelense que organizava o evento. Esta tradição no entanto foi-se perdendo nos meios mais urbanos, mas nas freguesias e aldeias ainda perdura. É exemplo disso, a pequena aldeia da Corte Vicente Anes, que há mais de 500 anos pertence à freguesia de Aljustrel, continua a fazer desta festa o maior acontecimento do calendário.

O baile realiza-se normalmente na véspera da Páscoa, quadra em que as famílias que residem fora aqui se reencontram. Com a sala esplendorosamente decorada e repleta de gente, chego o momento solene da abertura do baile, com a chegada da corte real, Rei e Rainha do baile, acompanhados pelos respectivos vassalos e aias ou damas de honra. A fantasia e riqueza dos trajes dependem muito da imaginação, do brio e da bolsa dos pais dos eleitos do baile do ano anterior. Esta festa assemelha-se nalguns aspectos a um casamento.

O fotógrafo contratado desloca-se às casas do rei e da rainha fotografar estes com os seus pares de honra e familiares. O rei e a rainha depois de instalados no trono e de pousar para as objectivas, inauguram a pinhata, dançando só os dois, ao som de aplausos da multidão, a primeira peça do baile, enquanto que o séquito fazem círculo à sua volta.

A dança seguinte é executada pelas aias e pelos vassalos. Seguidamente dançam os vassalos com as respectivas aias e os reis. Só depois começa o baile para toda a gente. Dois grandes bolos oferecidos pelo par real são servidos com vinho do porto ou espumoso. Fazem-se leilões como em todos os bailes e dança-se alegremente até altas horas da noite.

Por volta das 4 horas da manhã, é chegado o momento de maior expectativa, de grande emoção. Trata-se da "dança da pinha" ou "dança da fita". Só os pares (solteiros) que compraram as fitas, que previamente foram numeradas por sorteio, é que podem dançar. (Noutros bailes as fitas são leiloadas). A enorme pinha de madeira encontra-se pendurada ao tecto no meio da sala, envolvida por dezenas de fitas que pendem. A dança da pinha pode durar uma hora e tem por finalidade abrir a pinha.

Os vassalos e aias também podem participar nesta dança, se para tal tiverem adquirido as respectivas fitas. Ao longo da dança, o animador do baile vai anunciando, por ordem, o número do par, a pinha é descida à altura de se puxar uma fita. A dança dura até que " a fita premiada" acciona um mecanismo de abertura da pinha, e nessa altura as luzes da sala apagam-se e acendem-se as luzes multicoloridas que se encontram no interior da pinha.

É o momento de maior emoção, em que há gritos de alegria e se aplaude o novo rei e nova rainha, que abriram a pinha. É o fim de um reinado e o começo de outro. Depois os novos eleitos dão início a outra série de danças. Estes escolherão novos vassalos e novas aias e recebem a coroa que lhes dá “poderes reais" para a "pinhata" do ano seguinte.

António Maria Coelho (1920-2003) – Poeta Popular

Seria uma injustiça escrever-se sobre a história Corte Vicente Anes, sem se fazer uma referência a esta figura carismática, que embora sendo natural de Santa Bárbara de Padrões, onde nasceu a 20 de Janeiro de 1920, aqui viveu desde os 17 anos e veio a falecer com 83 anos, no dia 2 de Novembro de 2003.

Trabalhou nas Minas de Aljustrel desde a idade de 18 anos até aos 52 anos, quando foi forçado a reformar-se por invalidez. Com uma reforma de miséria para sustentar mulher e 3 filhos, recorrendo à sua veia poética, publicava versos, que ia vendendo conjuntamente com lotaria, de terra em terra e de feira em feira.

Dotado de grande sensibilidade poética, deixou-nos uma obra exemplar no campo da poesia popular alentejana, sobretudo na forma de décimas. Através dela, António Maria Coelho exprimia os seus pensamentos, a sua dor, a sua revolta e a sua visão da vida. A sua irreverência e o seu inconformismo para com a ditadura e a sua luta por melhores condições de vida, acabaram por levá-lo à prisão, como aconteceu a milhares de honestos trabalhadores deste país.

Os seus versos falavam dos dramas do dia-a-dia, dos crimes passionais, dos trabalhos árduos dos mineiros e ceifeiros. Falavam da guerra colonial, onde milhares de jovens portugueses perderam a vida e a saúde e da luta pela liberdade, mas também exprimiam os encantos da natureza, o canto dos passarinhos, dos campos, enfim cantou a vida, a sua e a dos outros.

António Maria Coelho foi efectivamente um dos homens que no seu tempo e no Alentejo mais cultivou esta forma de expressão popular tão genuína da cultura alentejana, que é a poesia popular. Foi membro da Associação dos Poetas Populares Alentejanos, animou espectáculos culturais com a declamação da sua poesia, participou em vários programas radiofónicos.

Antes de falecer participou no filme-documentário “ Jardim do Mundo de Maya Rosa ”, uma co-produção francesa, que tendo como pano de fundo a planície alentejana, foca em linguagem poética a dor, a resistência e as esperanças dos trabalhadores alentejanos, ao longo dos negros anos que antecederam o 25 de Abril.

Em 1993 publicou um livro intitulado “Biografia e Poesia do Poeta Popular António Maria Coelho”, testemunho para as gerações futuras da sua vivência exprimida através duma genuína e bela poesia, do qual transcrevemos a seguinte quadra dedicada aos passarinhos:

(Mote)

Os alegres passarinhos

Na Primavera florida
Ouvem-se às vezes cantar
As mágoas da sua vida


Ao romper da madrugada
Já se ouvem cantando
Muitas vezes lamentando
A sua sorte desgraçada
Sua linda voz treinada
Em cima dos raminhos
À beira dos caminhos
Em manhãs de frieza
Dão imensa tristeza
Os alegres passarinhos


Lá se ouve um pastor
Cantando no lindo prado
Atrás do seu gado
Que o trata com amor
O passarinho encantador
Canta sempre de seguida
Aquela voz retinida
Entre musgo, entre penas
Naquelas manhãs serenas
Na Primavera florida.

(Fonte : Francisco Palma Colaço, 2009)

CORTE VICENTE ANES
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